Yoga estimula a produção do neurotransmissor de efeito calmante.

Olá! Essa semana iremos falar sobre como o yoga, essa prática milenar, influi diretamente no equilíbrio das energias e contribui para o ganho de massa… cinzenta!

O cérebro humano é formado por mais de 80 bilhões de neurônios, mas não sabemos até hoje definir seus limites. Além de comandar todo o funcionamento do corpo, temos muito o que descobrir em relação ao seu potencial. Contudo, já sabemos que o yoga é uma ferramenta que atua na potencialização das funções cerebrais.

O yoga transforma o cérebro de maneiras maravilhosas, isso já foi constatado em vários estudos.

Os exercícios respiratórios utilizados no decorrer da prática ou em momentos específicos da mesma aprimoram a oxigenação sanguínea. Esse sangue oxigenado flui então para o cérebro, onde, ao abastecer as células cerebrais, é transformado em mais energia para esse órgão e, consequentemente, em maior eficiência. O cérebro mais oxigenado favorece o estado meditativo e consegue gerar estímulos superiores para os músculos, na prática de posturas ou ásanas. Os ásanas, por sua vez, produzem efeitos neuroendócrinos e neuroquímicos, causando influências tão poderosas no sistema corporal que causam mudanças na estrutura cerebral. Essas mudanças favorecem tanto aspectos emocionais como cognitivos e comportamentais.

Assim, ao exercitarmos a respiração, o foco no momento presente e o estado meditativo, seja ele de forma estática ou dinâmica durante a prática, aumentamos tanto a massa muscular magra quanto a massa cinzenta e inundamos nossos neurônios com uma substância calmante, o gaba, neurotransmissor que promove o relaxamento.

O gaba, ou ácido gama-aminobutírico, diminui a atividade neural e, além de regular o tônus muscular e melhorar o humor, gera um efeito calmante semelhante ao consumo de álcool, algumas drogas ou remédios, mas, é claro, sem os efeitos colaterais. Porém, o mais interessante é que a produção de gaba pelo cérebro com o yoga, além de superar muito a gerada por esses estímulos externos, não acaba ao final da prática: ela é duradoura. Ou seja, após a prática, ela permanece, diferentemente do que ocorre quando esse estímulo acontece por substâncias externas. Assim, ao estimular a produção de gaba através do yoga, ocorre naturalmente no indivíduo o aumento dos níveis de autoestima e de autoaceitação.

Alem desse estímulo neuroquímico natural, o yoga comprovadamente modifica a estrutura cerebral. Em um estudo realizado por cientistas do Instituto do Cérebro (Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein), da Universidade Federal do ABC e da Harvard Medical School, foram comparadas mulheres idosas com o mesmo tempo de atividade física: yoginis com, em média, quinze anos de prática, e vinte mulheres fisicamente ativas saudáveis, que nunca haviam praticado yoga ou meditação. Todas na faixa etária acima de 60 anos. Os pesquisadores fizeram as imagens do cérebro das participantes através da ressonância. Após a ressonância magnética funcional, foram encontradas diferenças na estrutura cerebral dos grupos: nas yoginis, foi constatada maior espessura no córtex pré-frontal esquerdo, nas regiões associadas à atenção, à memória e às funções cognitivas. Como os grupos foram muito bem pareados, os resultados do estudo indicam que, a longo prazo, a prática de yoga pode modificar a estrutura do cérebro e agir de forma preventiva contra a degeneração cerebral causada pelo envelhecimento. Além disso, ainda foram relatados outros efeitos, como aumento de energia física, perda de peso e mudança de estilo de vida.

Contudo, ninguém necessita sofrer de algum problema de saúde mental para experimentar maior felicidade após uma sessão de yoga. O resultado dessa incrível potencialização das funções cerebrais já pode ser notada logo nas primeiras práticas.

Por Adriana Camargo

Professora de Educação Física e Yoga, ministra cursos e palestras e é ex-atleta maratonista.

Fonte: site Globo Esporte.

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